A Lenda de Richard

I - A Primeira Campanha

O Império Braliano, fundado pelo maior homem a pisar na terra, criador de uma glória que todos os reis depois, bralianos ou não, apenas podem sonhar em recriar. Infelizmente, sua tão grande obra se desfez tão logo ele nos deixou por conta da ganância dos homens. O atual Reino de Bralia é o que restou do glorioso Império de Richard, temido mesmo (e principalmente) pelos pagãos que hoje, tem sua pátria de volta para si e o rejeitam como herói, acusando-o de genocida e mesmo o odiando. Alguns reis tentaram imitar Richard, mas ao falharem na tão sonhada reconquista de Caedia não ganharam o direito de clamar para si o direito de Imperador.

Bralia começou com o mesmo título que tem agora: Um simples reino, entretanto, naquela época o reino era muito menor, compondo-se simplesmente da cidade de Bralia e seus arredores. Bralia nos dias de hoje é uma das províncias com os mais disciplinados soldados, algo que era ainda mais verdadeiro naquela época. O Reino de Bralia, liderado por Charles II, O Belo, pai de Richard, com suas falanges de piqueiros havia expandido o reino braliano até as tribos de Amschlag.

Em verdade, foi durante a conquista de Amschlag que Richard nasceu. Charles, por estar em campanha, não pode ver se primeiro filho homem nascer, mas quando retornou da campanha se encheu de orgulho e teve uma visão: Seu filho era Deus encarnado, enviado para salvar os homens da guerra e violência causada pelo mal e heresias daquele tempo.

16 anos se passam, nos quais Charles passa estabelecendo seu domínio sobre Amschlag e cuidando de seus filhos. Após esse período, Charles se alia a um povo seminômade chamado Vannoi que clamava o direito pelas terras de Neunberg. Tomando para si a causa deles, Charles ordena a invasão a Neunberg dando a Richard a tarefa de comandar a expedição Braliana enquanto ele lutava na fronteira Euboriana tentando conseguir aliados dentre as tribos atacadas pelo Império (que de tempos em tempos, lançava expedições para a captura de escravos contra as tribos próximas de sua fronteira). Richard se demonstra um gênio militar e tem sucesso em sua campanha e em apenas 6 meses, conquista Neunberg em nome dos Vannoi e oferece a seu pai auxilio na campanha, ao qual Charles rejeita e ordena que Richard retorne para reger o reino.

Charles veio a falecer um ano depois na Batalha do Rio Frauenborn, onde ao receber duas flechadas no peito cai do cavalo e é assassinado por lanceiros Euborianos. Com a morte de seu líder, o exército é forçado a recuar para trazer as notícias e enterrar o rei. Ao tomar conhecimento da morte de seu pai, Richard ordenou 3 dias de luto e é coroado o novo Rei. Quão logo foi coroado, as províncias de Amschlag e Neunberg se rebelaram clamando independência, Richard então partiu em uma guerra que durou um ano contra essas províncias e ao qual no fim triunfou e ainda invadiu reinos vizinhos por apoiarem a rebelião em seu território e em apenas 6 meses os derrotou e colocou no trono um de seus aliados, o general Walfried que prontamente lhe jurou vassalagem.

II - Guerra Santa

Terminado esses conflitos, Richard passa 3 anos reunindo aliados para a invasão de Euboria e parte em direção a fronteira para intervir na guerra entre dois povos: Os Neuscheid e os Mödben, sendo o primeiro apoiado por Euboria que usavam da tática de dividir e conquistar as tribos proto-bralianas.

Richard intervem em favor dos Mödben e vira a guerra contra os Neuscheid, destruindo completamente a II Legião Euboriana que foi enviada para ajuda-los. Sofos VI, Imperador de Euboria, furioso pela perca de sua legião, não aceita a derrota de seus aliados e envia mais de 40.000 soldados para vingar sua derrota. Richard decide recuar com suas tropas até o Rio Frauenborn, aonde defendeu a ponte que cruzava o rio sucessivamente contra seus adversários e em um contra-ataque impetuoso quebrou a moral inimiga que fugiu do campo, matando e capturando milhares na perseguição que prosseguiu.

Vencida a batalha, Richard repõem suas baixas e reforça o exército com o de outras tribos que, ao ouvir de seu sucesso, decidem se unir a ele na Cruzada contra os adoradores de demônios. O novo exército formado pela União das Tribos Ocidentais (Bralia, Halmhammar, Loravia, Soniemi e Arenkene), até então consideradas bárbaras pelo Império das Trevas se uniu sob o comando de Richard e invadiu o imaculado Império Euboriano em busca de vingança contra séculos de guerra, sequestros e intrigas promovidas por Euboria.

Batalha de Edymna

A hoste marchou por meses e no 7º dia de setembro, os 13.000 peltastas, 22.000 infantes e 5000 cavaleiros liderados por Richard, se viram diante do enorme exército euboriano, composto de 1 milhão de homens, dentre eles milhares de “bárbaro” que foram convencidos a se aliar a Sofos com promessas incontáveis riquezas e Bralia como espólio.

A batalha ocorreu ao leste da antiga cidade de Edymna, próxima de onde hoje é Ekland em Caedia, um terreno cercado por montanhas que impedia ao Imperador Sofos o uso de todo seu exército. Os bralianos avançaram pelo Passo de Phaedria (Passo de Richard), Richard liderando a partir do flanco direito, deixando a ala esquerda aos seus aliados e o centro com o braliano Ândica os liderando. Sofos concentrou sua cavalaria no flanco direito, a esquerda os mercenários bárbaros e o grosso da infantaria Euboriana no centro, assim como o próprio Sofos.

A cavalaria Euboriana lançou seu ataque contra os cavaleiros liderados por Andica, cruzando o rio e iniciando a batalha, o centro e o flanco direito braliano começaram a avançar enquanto a oeste os Aliados resistiam contra o grosso do ataque Euboriano. Os bralianos inicialmente estavam em desvantagem e ao cruzarem o rio, sofreram pesadas baixas contra os arqueiros imperiais e tiveram de recuar, enquanto Andica sofria com as cargas da cavalaria pesada Euboriana que os superava em número.

A situação era de grande desespero, quando que quase como milagre a infantaria pesada braliana liderada por Richard conseguiu quebrar a linha Euboriana e os piqueiros capturaram Legiões inteiras de Euborianos, os forçando a recuar e permitindo a cavalaria braliana liberdade de ação. Richard montou em seu cavalo e, liderando uma impetuosa carga, atacou diretamente o centro Euboriano, visando Sofos e quase o mata com uma estocada de sua lança que o acerta na têmpora, que ao ser ferido gravemente, foge com seus guardas. Richard aproveita a chance e ataca os mercenários, que quebram formação e são destruídos. Os euborianos, vendo seu Imperador fugir e a batalha mudando de ritmo, batem retirada. O dia era Braliano.

Cerco de Euboria

Richard continua seu avanço e em toda cidade que passa ordena a destruição dos templos e executa sacerdotes Euborianos até alcançar e sitiar a capital. Com seu exército enfraquecido e Euboria em cerco, Sofos convoca seus sacerdotes que temendo o avanço braliano, invocam diversos demônios para ajudar a defender a cidade, dentre eles, a mais terrível de todas era o maligno Zymmyt, criatura enorme de aspecto reptiliano, asas e hálito de fogo. As tentativas de assalto se mostraram difíceis, os homens aterrorizados pelas bestas se recusavam a atacar diversas vezes, e quando um assalto era bem-sucedido, Zymmyt voava sobre os invasores e os queimava vivo ou esmagava com suas enormes patas.

Durante o cerco, pragas caiam sob o exército das Tribos Ocidentais e fortes vendavais destruíam as torres, entretanto, os doentes se recuperavam sob as orações de Richard e novas torres, mais fortes e firmes eram construídas. Após 3 anos de empasse, um assalto final é realizado e após um banho de sangue, os portões e muralhas são finalmente tomados. Richard ordena que suas tropas não avancem na cidade e apenas defendam suas posições de contra-ataques Euborianos até que a sua trompa soasse.

Richard então monta em seu cavalo e cavalga sozinho em direção ao centro da cidade, Zymmyt voa sobre ele tentando o derrubar, mas falha e é ferido pela Espada de Richard, a criatura recua e lança fogo contra Richard, que desvia e se lança contra o dragão, este recua para cima e tenta derrubar Richard de seu cavalo com o vento do bater de suas asas, Richard se lança em carga e sobe encima de seu cavalo, e dando um enorme salto em direção ao demônio crava sua espada no pescoço da besta, que cai ao chão morta. Richard se levanta e soa a trompa que ecoa por toda a cidade ordenando o ataque. Sofos, assistindo de seu palácio a morte de Zymmyt, corta a própria garganta com uma adaga.

Richard ordena a completa destruição da cidade, nenhum de seus cidadãos deveriam ser poupados, nenhuma das riquezas saqueadas: Toda a cidade, habitantes e riquezas deveriam ser completamente queimados e seu solo salgado, a pirâmide é destruída pessoalmente por Richard e milhares de livros heréticos dentro dela são queimados. Terminada a destruição, Richard aponta Andines como seu representante nas terras Euboriana e passa mais 2 anos caçando generais Euborianos e os executando quando capturados enquanto Andines estabelece o novo governo e inicia a conversão forçada da população ao monoteísmo braliano, além de ordenar a fundação de uma nova cidade como capital: Caedia.

III - Guerras Órquicas

Estabelecido o novo governo e extinguido quaisquer perigos a ocupação braliana, Richard, agora com 26 anos, retorna para Bralia aonde junto de seus aliados funda o Império Braliano, sendo Richard seu imperador. Cada um dos reis tinham agora a obrigação de auxiliar um ao outro em batalha e deixar de lado suas diferenças e ambições em prol do crescimento mútuo e caso não conseguissem resolver alguma disputa entre si mesmos, deveriam levá-la ao Imperador que serviria como juiz.

Richard, realizando a diversidade de seu povo, Richard vê a necessidade de um calendário unificado para facilitar a comunicação do tempo dentro de seu território e cria o Calendário Imperial, marcado pela fundação do Império, sendo dividido em 12 meses de 30 dias, baseado nos movimentos do sol, sendo 5 últimos dias adicionados ao último mês do ano para a realização de festivais.

Dois anos após a fundação do novo Império, um povo conhecido como Plautus, sendo invadidos pelos militaristas Livolis, clamam por ajuda de Bralia, oferecendo vassalagem em troca de ajuda no conflito. Richard mobiliza os veteranos bralianos e uma leva de soldados vindos de Caedia e marcha em apoio aos Plautus, derrotando os Livolis na Batalha das Tempestades e subsequentemente os invadindo e instalando o general Euboriano Buccio como novo rei. Richard não se contem com uma única vitória, e convoca seus novos aliados em uma longa marcha ao sul na qual subjuga diversas tribos e obriga os seus líderes a lhe jurar vassalagem, vários deles se rendendo antes mesmo da chegada do Exército Imperial.

O Império vive em prosperidade por cerca de 5 anos, nos quais Richard intervem em diversos conflitos internos e incentiva o comércio entre os povos, o que leva antigos rivais a se tornarem grandes amigos. Entretanto, a paz não duraria tanto. Ervig, filho de Walfried, desesperadamente invade o palácio real, pedindo a ajuda de Richard e do Império contra os orcs, horrendas criaturas que vivem nas florestas e comem aqueles que viajam sozinhos. Até então tidos como mero folclore, os orcs atacaram e saquearam Amschlag, matando Walfried na defesa da cidade e agora marchavam para Neunberg.

Richard convoca o Império, ordenando primeiro a retirada de Neunberg e que seus cidadãos se refugiem em Caedia enquanto seu exército se une ao Braliano sob o comando de Ervig, após isso as forças de seus aliados deveriam se reunir em Bralia para a campanha, junto de aventureiros dispostos a ocupar as novas terras. Ao chegar a Neunberg, o que sobrou da cidade já havia sido saqueada e os orcs a muito se foram, o mesmo se repete em Amschlag.

Richard ordena que seu exército, junto de cidadãos dispostos a cotarem a floresta. De tempos em tempos os lenhadores eram atacados por raides orcs, que eram então repelidas pelo Exército Imperial. Após 3 anos os lenhadores reportam uma trilha, Richard com seu exército segue a trilha e inicia a invasão ao território Orc, derrotando o exército de uma de suas cidades e queimando seus ídolos, além de fundar a cidade de Nederbøl. Richard lidera sua campanha até o Rio da Serpente, derrotando dezenas de exércitos orcs no caminho e fundando diversas novas cidades nesse território. Sucessivo em sua primeira campanha, Richard retorna para Bralia para voltar a administrar seu Império.

Durante 2 anos, orcs atacam as colônias bralianas sem cessar, o que leva Richard a preparar mais uma campanha na qual seu exército marcha por toda Askerburg, conquistando fortes e cidades, até chegar em Vensai, aonde no início do 11º ano encontra e mata em batalha o Chefe de Guerra responsável pelo terror em Neunberg. A batalha entretanto, só foi vencida com ajuda dos Ussukan, uma civilização humana ao extremo oriente que prontamente não só se aliou a Richard, como o reconheceu como um avatar de seu Deus Eros devido a sua aparência e a profecia de que ele víria a terra criar um Império e os libertária dos Orcs.

Richard retorna a Bralia, delegando aos Ussukan e seus generais e aliados a tarefa de defender os novos territórios e permanece 7 anos com sua atenção totalmente dedicada ao governo do Império, período no qual criou o Kalve, moedas feitas de prata como dinheiro comum no Império. Além disso, mandou fundar escolas pelo Império ensinando o idioma Braliano com o objetivo de torná-lo língua franca.

No ano 18, Richard partiu com seu exército e expandiu Norte até encontrar o deserto, aonde mais um povo humano foi encontrado, os chamados Povos do Deserto. Richard lhes promete ajuda em troca de lealdade e estes, conhecendo a história de sucesso de Richard, aceitam a proposta. Richard então funda a primeira ordem de cavalaria: Os Cavaleiros de Sandur para proteger os nativos dos orcs.

Richard então retorna para Bralia e reina por mais 5 anos, quanto de repente remove a coroa de sua cabeça e parte com 6 soldados em uma viagem até os povos do deserto, lá, se reúne com o Capitão da ordem de cavalaria que criara, Montbard, e partiu com eles para uma viagem da qual jamais retornaria, sem herdeiros e sem explicar seus motivos. Os Bralianos, confusos, declararam regência e aguardaram pelo retorno de seu Imperador, período no qual desordem e rebelião começou a crescer com a possibilidade de seu não-retorno.

Após 10 anos, toda semblância de ordem caiu por terra e os seus generais vassalos começaram a guerrear entre si pelo Império, com exceção de Andines, que declara a independência de Caedia e se contenta em defender os territórios euborianos contra os outros senhores de guerra. Durante um dos poucos períodos de paz nas chamadas Guerra de Sucessão, um sacerdote Braliano chamado Létt clama visões de Richard, lhe afirmando ser Deus, este sacerdote começa a pregar na capital e pouco depois relatos similares se espalham pelo Império, estátuas antes feitas como comemoração se tornam objeto de adoração.

Andica se afasta da nova religião pelo fato dela deslegitimar seu reino clamando-a herética e idolatra de homens e a proíbe em seu Reino. Durante 19 anos, a religião se espalhar pelo Império, período no qual, Montbard é o único a retornar e se encontra com Létt, lhe confirmando a visão e afirmando que Richard transcendeu aos céus enquanto no deserto, aonde mataram milhares de Orcs e um Senhor das Trevas. Após esse encontro, Létt é nomeado o líder da Igreja Braliana e os Cavaleiros de Sandur se tornam a segunda instituição diretamente afiliada a igreja (sendo a primeira o próprio Império). A morte de Montbard não é conhecida, mas os Cavaleiros de Sandur o comemoram todo dia 6 de março e presume-se que tenha morrido de velhice.

Ludolf Seger, Bispo de Arnedorp